domingo, 20 de dezembro de 2015

Nos meus piores momentos estive só



Nos meus piores momentos, estive só. Vi como todo mundo me deu as costas, ou ao menos as pessoas que giravam ao meu redor. Nos momentos bons é muito fácil encontrar companhia, mas os momentos ruins, ninguém os quer. Para arrematar a minha tristeza, recebi críticas, desprezo e uma frieza que gelava o meu corpo. Me senti triste, muito triste.
Deixei de crer no ser humano, me escondi, como um pequeno caracol que se esconde na sua casinha, esperando que aparecesse esse sol que nunca aparece. Não queria falar com ninguém, não queria pegar o telefone, todas as conversas me pareciam igualmente vazias e desumanas.
Apesar de tudo, fiz o esforço, o esforço de aprender a ver as coisas de outra forma.
Usei a minha pequena inteligência emocional. Pensei: quem dera eu fosse um pouco mais velho! E comecei a deixar de lado todas aquelas pessoas, todas aquelas grandes reuniões que faziam com que eu me sentisse ainda mais sozinho e triste. Porque…
Não há nada mais desolador do que estar em um lugar que para os outros é um paraíso, mas que para você não é mais que o deserto mais vazio.
Então, comecei a ampliar os meus horizontes e me apoiei nas pessoas que, com seus pequenos gestos, faziam com que eu me sentisse bem: uma palavra carinhosa, um abraço, um olhar sincero e transparente.
Foi então que comecei a ver as coisas de outra forma. O caracol começava a vislumbrar a luz do sol dentro da sua concha diminuta.


“Me encontro solitário quando procuro uma mão e só encontro punhos”
– Tom Wolfe –

Talvez a realidade seja que todos estamos sós na vida e que precisamos aceitar isto de uma forma realista. Ninguém pode estar nos protegendo o tempo todo. Cada um de nós tem seus próprios problemas e obrigações. Mas qualquer gesto singelo, que também não custa tanto, pode nos ajudar enormemente em um momento ruim que estivermos passando.
Por sorte sempre encontramos pessoas que têm a habilidade especial de consolar.Quando você menos espera, aparecem como esse sol tão esperado para levantar o ânimo com apenas algumas palavras. E é algo tão simples, que não deveríamos esquecer jamais de praticar estes gestos singelos com os outros. Gestos que nos engrandecem como pessoas.

Porque o mais triste que pode acontecer é perder a humanidade, algo tão fácil de esquecer em uma sociedade em que os valores que imperam não são a bondade, o altruísmo e o respeito. Uma sociedade na qual impera o “E eu mais”, “Eu, Eu e Eu” ou “Não te dou o meu sorriso, estou ocupado com outras coisas”.
A frieza, a falta de humanidade não levam a nenhum lugar. Na máxima “Não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você” está um grande ensinamento que tantas vezes nos esquecemos de lembrar.
Por isso, todos deveríamos olhar de vez em quando o nosso próprio umbigo e pensar “Todos precisamos de todos”. Por que não começo por mim mesmo oferecendo algumas palavras carregadas de flores e não de punhais que chegam direto à alma e aocoraçãoPor que cada um não coloca o seu grão de areia e formamos uma montanha preciosa?

“Estamos sós, vivemos sós e morremos sós. Somente através do amor e da amizade podemos pensar, por um momento, que não estamos sós”
– Orson Welles –








Dedicado a todas essas pessoas que, neste momento, se sentem identificadas com estas palavras. Dedicado a todas essas pessoas que deixaram de crer no mundo em que vivem. Dedicado a todas essas pessoas que se sentem tomadas pela desesperança de um mundo que tende a se desumanizar cada vez mais.
Texto original em espanhol de Sofia Alcausa Hidalgo

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Beijões Gordos,

Claudia Rocha GorDivah
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