terça-feira, 8 de dezembro de 2015

DOR






Dizem  que a dor é algo essencial a vida, e receio que concordo em parte com isso, a dor ensina, embora machuque demais e muitas vezes nos deixe inertes de tanta destruição que sentimos por dentro. E pra mim uma das piores dores é ver que machuquei, provoquei dor em outra pessoa, isso acaba comigo, principalmente se não obtenho perdão. 

Fico muito triste e arrasada  com isso. Prefiro que me machuquem do que machucar os outros, prefiro pedir desculpas a deixar qualquer outro pensamento ou sentimento me impedir  de tentar levar paz pro coração que perturbei. Mas infelizmente nem sempre eu consigo cuidar dos corações que machuquei , pois eles vão embora e eu não os culpo por isso, mas isso não significa que eu esqueça ou deixe de me importar....



E dor pra mim é infelizmente uma palavra que definiu meu 2015, em todas as áreas da minha vida, dores físicas, psicológicas, da alma, do coração, da aura, do espírito. Foi um ano em que decepcionei muita gente, um ano em que senti muita dor física por causa da endometriose profunda, que até ser diagnosticada, parecia ser o câncer voltando ou um novo câncer. E pra preservar minha família durantes meses não contei o que tava rolando, só o povo do trabalho e meu melhor amigo sabiam e melhores amigas. E meu emocional ficou em frangalhos, tanta tensão, tanto medo dentro do peito, tanto choro preso na garganta e ao mesmo tempo tanta injustiça e intolerância que se eu não tivesse recebido o apoio do hero, eu acho, aliás eu tenho certeza que eu não estaria mais aqui mesmo. 



E foi um ano levando um caixote atrás do outro, amizades estremecendo, outros tipos de laços afrouxando, eu mudando muito por dentro e tentando lidar com isso. E quando enfim veio o diagnóstico de endometriose profunda mais uma bomba explodiu na minha cabeça e precisei começar a tomar hormônios....e ter que lidar com uma doença que traz a depressão como brinde, dentre tantos outros desequilíbrios no organismo, realmente não foi algo fácil de lidar. De repente eu que costumava ser alguém racional, me vi uma mulher extremamente emotiva que chorava a toa e via o humor oscilar sem que eu conseguisse segurar forte no leme e evitar meu barco de naufragar.


Mas pro mundo não importa, não interessa como você está por dentro, até mesmo porque, se eu não estava sabendo lidar comigo, imagine os outros. E não os culpo por isso. Em algum texto anterior mencionei que este ano decepcionei muitas pessoas e "decepção" seria uma palavra que definiria meu 2015 na vida de outros , mas esqueci de mencionar também "dor" que definiu a maior parte dos meus dias de 2015. A dor muda você, e os hormônios também, desprezo também, e muitas outras coisas.


Quando eu digo que sou sincera e honesta as pessoas já imaginam um daquelas pessoas que são grosseiras e vivem falando "verdades" pros outros, mas não é disso que tô falando. Quando eu digo que sou sincera e honesta, me refiro e confessar meus erros pras pessoas, pedir perdão por ter sido escrota ou qualquer coisa similar. Este final de ano eu havia decidido que passaria a fazer confissões para as pessoas, porque eu acreditava que elas mereciam, a verdade, foi uma das ideias mais estúpidas que tive na minha vida. O mundo não está preparado para viver sem mentiras, segredos e enganos. Não está preparado pra ouvir desabafos e muito menos a verdade que o outro tem a dizer. Nunca mais confesso mais nada na minha vida, morro negando e omitindo, afinal é assim que o mundo gira e funciona sem pane. É assim que os laços entre as pessoas sobrevivem, na base do engano, hipocrisia, falsidade, mentira e conexões superficiais.

Essa semana que disse algo que revoltou algumas pessoas bem próximas de mim, mas que reflete exatamente como estou me sentindo e o que estou pensando agora. Pra que eu sobrevivi a um câncer? Pra quê? Para continuar sentindo dor? Continuar aqui nesse plano só levando pedrada de tudo que é lado? Só pra continuar errando com as pessoas e piorando ainda mais o meu karma? Sabe eu achava que tinha resgatado minha fé na humanidade este ano, achava que enfim havia um motivo pra dar uma segunda chance pros seres humanos mas vejo que me enganei feio. E descobri que não sou mais uma boa pessoa, e que também parei de me importar, nada mais me importa agora e acho um desperdício eu estar aqui quando poderia estar no além. Que outra pessoa tivesse sido curada em meu lugar e eu tivesse partido logo. Eu tô tão, mas tão cansada disso tudo que não tô me importando com mais nada.

Por mim se eu caísse morta agora antes de terminar este texto, sinceramente não me importaria nem um pouquinho mesmo. Vida/Universo/karma cabô a palhaçada agora e saibam que me fechei de vez, e nunca mais vou me abrir de novo, nunca mais! E nunca mais vou tentar, nunca mais vou desistir, simplesmente pra mim agora tanto faz como tanto fez. Não quero saber de mais nada que vocês possam oferecer e nem ninguém! Cabô! E a minha cota de ser boazinha tá zerada, tô  sem bondade no estoque viu! E quer saber, eu vou é cuidar de mim e nunca mais vou gostar de ninguém em nenhum sentido ou perder tempo com quem nem se importa comigo! 








Beijões Gordos,

Claudia Rocha GorDivah
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