sexta-feira, 29 de maio de 2015

Autoestima e Amor Próprio - Desabafo Leitora Kelly


A Kelly nos enviou o seguinte relato:

"Olá ...
Gostaria de compartilhar com você o como essa página me ajudou...
Me chamo Kelly tenho 20 anos, sou casada, 1.60 de altura e 80 kg!!!
Sempre fui gordinha e sempre sofri preconceitos horríveis por isso, quando eu tinha 15 anos passei por uma cirurgia aonde cheguei nos 59 kg .. Magra e feliz, porém sempre muito doente ..
Mantive esse corpo durante uns 3 anos, e depois retornei e engordar .. Chegando em uma fase aonde eu só sabia me olhar no espelho e chorar .. Não me conformava em ter ganhado tanto peso novamente, as pessoas me olhavam com cara de "dó".
E assim foi minha vida durante 2 anos, chorar e me culpar por ter estragado a minha cirurgia...
Meu casamento não ia bem pois eu me sentia a pessoa mais infeliz do mundo. Meu esposo nunca reclamou, muito pelo contrario sempre me dizia que eu era linda e me amava muito ..
Não conseguia emagrecer e nem praticar exercícios .. Até que um dia meu esposo chegou e me disse: "Eu não aguento mais te ver assim, VC tem que se amar e se aceitar."
Até que um dia conheci essa página e muitas outras que ajudavam mulheres gordinhas a se aceitarem e se amarem como realmente são, sem ter que seguir o padrão que a sociedade impõe.
Acompanho cada página todos os dias, e hoje só eu e meu marido sabemos o quanto sou feliz e me sinto cada dia mais linda e confortável com meu peso!!!
Antes as pessoas me encontravam na rua e diziam: Nossa como VC ta diferente .. E eu logo retrucava: Éh, to gorda né .. E passa o dia chorando.
Hoje quando alguém diz que estou diferente já logo respondo: Viu como estou linda?!!
E mesmo assim alguém insiste em dizer: Mas VC engordou heim .. Bom, pra mim HOJE isso é um elogio!!!
Só queria dizer que graças a vcs e mais páginas que acompanho me sinto a pessoa mais linda do mundo, minha auto estima é perfeita e meu casamento está uma beleza hahahahahaaa ..
E o melhor, não precisei emagrecer pra isso e fazer o gosto da sociedade, precisei apenas me aceitar e ver que minha beleza vai muito além de um corpo magro e um manequim 38!!!"

Este foi o desabafo da Kelly. Para enviar o seu é só escrever um desabafo e nos enviar por inbox, se quiser, envie também a sua foto ;)





Beijões Queen Size,

Claudia Rocha GorDivah

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Solidariedade Queen Size



Hey povo! Eu recebi o pedido de ajuda de uma leitora que está precisando de doação de roupas por motivos financeiros. O manequim dela é 52/54, tem 24 anos e é do Sul.
Ofertas de emprego também são bem vindas. 
Ela me autorizou divulgar o número e e-mail dela, quem puder ajudar, por favor entre em contato direto com ela pelo número ou e-mail abaixo:

- 51 80229093
- tainatopxx@hotmail.com

Não fui autorizada a divulgar aqui o perfil dela, mas, quem puder ajudar ou compartilhar eu e ela agradecemos e muito.




Beijões Queen Size,

Claudia Rocha GorDivah

terça-feira, 26 de maio de 2015

Histórias de Amor Queen Size


Comecei uma nova seção lá na nossa fanpage: Histórias de Amor Queen Size, como o próprio nome sugere, lá compartilharei histórias de casais onde pelo menos um deles seja gordinho. Muitas moças e rapazes também entram em contato comigo e desabafam sobre a dificuldade de encontrar alguém, este álbum é para inspirar, celebrar o amor queen size e mostrar pra vocês que peso não impede a felicidade no amor.
Para quem ainda está sozinho, temos o Álbum do Amor Queen Size, que é dividido em estados, cada estado tem o seu próprio cupido, para saber mais como participar clique aqui.






Beijões Queen Size,

Claudia Rocha GorDivah

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Trilha Sonora By GorDivah - Jimmy Barnes

E hoje o Trilha foi uma indicação enviada pelo Vinícius Gonçalves, parabéns cara! Ótimas sugestões hoje =)))






Quer sugerir um som pro Trilha? Ou dedicar?
Envie a sugestão pro inbox da pagina Blog GorDivah no facebook.





Beijões Queen Size,

Claudia Rocha GorDivah

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Gorda E Feliz



Algumas pessoas tendem a pensar que  é impossível estar gorda e ser feliz. Como se minha relação com a gravidade da Terra determinasse se tenho ou não o direito de ser contente comigo mesma. Não sei se é a minha personalidade, temperamento desde  que me  entendo por gente, essa tendência que tenho de não me importar com o que todos estão fazendo ou usando ou pensando, regras de moda, padrões da sociedade, regras e regras e regras. Pelo que minha família me conta eu sempre fui meio diferente das outras crianças, minha mente sempre funcionou diferente e com uma certa frequência consigo prever atitudes, enxergar mentiras na hora e contestar o que penso estar errado. Eu era daquele tipo de criança que debatia com adultos quando achava que eles estavam errados ou me criticavam e ao meu ver, eu não deveria ser criticado por aquele adulto. Exemplo clássico: o pai de um menino extremamente mimado e mal educado virava pra mim e falava, não pode subir no muro e ficar pulando dele(essa proibição sequer existia oficialmente), eu respondia: Ô seu fulano, em vez de tomar conta de mim, que tal educar seu próprio filho que é muito mal educado hein? Kkkkkkkkkk

Aí eu ouvia, vou fazer queixa de você pro seu pai, eu respondia, pode ir lá o senhor é nosso vizinho, é só bater na porta ao lado e falar com ele, mas garanto que o senhor vai perder seu tempo, pois não fiz nem falei nada de errado e meu pai vai falar o mesmo pro senhor. Minha mãe ficava louca com tantas queixas contra mim, meu pai achava graça quando eu agia certo mas me  repreendia verbalmente e me obrigava a me desculpar quando eu estava errada, na visão dele. Embora muitas vezes eu não concordasse em pedir desculpas quando achava que estava certa, eu debatia com ele e soltava, só vou fazer porque você tá mandando, mas que isso tá errado, está. Menina abusada, cheia de atitudes e opiniões desde cedo, que lia na 5ª série e escrevia na agenda poemas de Augusto dos Anjos e ficava fascinada com os versos " o beijo é a véspera do escarro", amava Machado de Assis e era apaixonada pelo Elvis e o bom rock and roll e blues...

O maior preconceito que devemos vencer é o nosso em relação à nós mesmos, sempre falo isso, e a opinião que conta mesmo de verdade no final das contas, é a nossa, o corpo é nosso, a vida é nossa e o futuro e escolhas também! Pare de olhar tanto para os outros e preste mais atenção em si mesma, se redescubra, se conheça mais, se reaproxime de quem você realmente é e não adote a imagem que fazem de você como uma verdade universal, absoluta e imutável! Não é porque a sociedade não te valoriza que você vai operar no mesmo câmbio que ela! você tem valor sim! É linda, única e especial como uma flor que acabou de desabrochar, não importa se é uma tulipa, rosa, ou margarida, você é como uma flor, maravilhosa!  E nunca mais haverá outra RIGOROSAMENTE  igual a você! Não é porque  a maioria prefere rosas que as gérberas não tem encanto. Chega de se enxergar como matinho! Desabroche! Dê um colorido nesse mundo rasa e cinzento com suas pétalas, cores e perfume!

Desabroche!Desabroche!Desabroche!


E crescendo apesar de todas as críticas e família meio distante emocionalmente, embora a maioria morando no mesmo estado, a tendência foi cada vez menos me importar ou buscar aprovação de outros, até que chegou a adolescência. Mas antes da adolescência, eu reagia quando me chamavam de gorda, bolo fofo, mônica, etc....Aquilo me deixava revoltada demais! Ainda mais por pequenas coisas, mas que na vida de uma criança faz a diferença. Eu não ganhava ovos de páscoa de tios ou primos, ganhei um pequeno uma vez da negeubauer(coisa horrorosa), e ouvia que eu não ganhava chocolate porque era gorda....E daí que eu era gorda!? Eu antes de ser gorda era uma criança que só queria ser lembrada pelos tios e tias na páscoa, mas se eles não lembravam nem direito da mãe deles que morava conosco, quanto mais de mim...Acho que isso influenciou e muito a minha vontade de ser independente emocionalmente dos outros, não buscar validação de ninguém, chego a lembrar de uma fase obscura em que eu odiava as pessoas, e as ignorava completamente. Aí quando conheci a meditação eu desapeguei do ódio e passei simplesmente a não me importar mais com as regras que o mundo ao redor vomitava sobre meu corpo, minha casca. Comecei a praticar o desapego e enxergar opiniões negativas e preconceituosas, xingamentos como lixo que precisava ser peneirado, reciclado e não guardado  para apodrecer dentro de mim. Eu aprendi muito cedo que as pessoas sempre nos decepcionam e mentem em algum momento e que isso não deveria me abalar tanto, pois fugir disso seria inútil  já que aconteceria de qualquer jeito, ali aceitei que o sofrimento faz parte da vida e que se eu não posso mudar a causa dele devo mudar minha postura, maneira de lidar com ele. E cheguei a essa conclusão deitada olhando pras nuvens correndo no céu de uma tarde azul....eu era apaixonada por medicina e fascinada pelo funcionamento do universo e mundo ao meu redor. E deitada olhando as nuvens e como o vento as moldava pensei, engraçado, a primeira coisa que fazemos na vida é chorar...acho que nossa primeira lição é que a dor faz parte da vida...e é claro que fui perguntar ao meu pai porque os bebês choravam ao nascer já que a palmada não era forte assim pra chorarem tanto, aí aprendi sobre pressão interna e externa, etc.....


Sei que cada um tem sua história e temperamento, personalidade, grau de carência, mas com tudo isso que contei sobre uma pequena parte da minha vida, quis mostrar que tudo na vida é uma questão de escolha. Você pode escolher engolir o preconceito da sociedade por ser gorda e deixar esse lixo apodrecer dentro de você ou você pode escolher rever seus próprios conceitos e imagem corporal que você construiu ao longo de sua vida. Imagem corporal negativa não é exclusividade de gordinhas, e muito menos de mulheres viu. Engana-se quem pensa que os magros não são inseguros também com relação a imagem e percepção que têm de si mesmos. Autoestima problemática não deve ser nunca negligenciada, em alguns casos você vai precisar de auxílio de um psicólogo, terapeuta, ás vezes até de medicação para te auxiliar a tratar essas questões internas.

Acho muito importante abordar esta questão pois infelizmente nossa sociedade vende emagrecimento e embelezamento como a cura de todos os males e isso é um engano. Não adianta simplesmente emagrecer ou fazer um tratamento estético para automaticamente obter uma autoestima saudável. Isso não mudará suas questões internas que necessitam serem resolvidas. Você pode mudar sua casca, melhorar seu condicionamento físico, melhorar sua saúde física, mas e a emocional, psicológica? Como fica? Um indivíduo não vive bem apenas saudável fisicamente.Independente de você querer ou precisar de fato emagrecer, seu interior não deve ser negligenciado, caso contrário você será como a maior parte de nossa sociedade: eternamente insatisfeita e insegura consigo mesma.




Há pessoas magras e infelizes, felizes também, e há pessoas gordas e felizes, e também há gordos infelizes, tudo é uma questão de escolha e foco. Eu escolho e foco na felicidade, não uso meu corpo como desculpa, estar gorda não é uma desculpa para ser sedentária, deixar de se amar, cuidar do corpo com amor e carinho. Estar gorda não é vergonhoso, não dá direito a ninguém de se intrometer na minha vida, me atacar verbalmente com termos pejorativos relacionados ao meu porte físico, estar gorda não me obriga a ser vaca de presépio pra sociedade, não vou abaixar a cabeça pro preconceito, não vou me envergonhar por ser quem sou hoje, pelo número do meu manequim ou dígitos que a balança registra. A opinião mais importante de todas sobre meu corpo é a minha! Se você duvida ou não que eu amo cada dobrinha minha, meus coxões, batata da perna gorda, busto tamanho 54/56, isso não muda NADA, não diminui meu amor por mim mesma, não altera a forma como vejo a minha beleza. Eu me vejo e sinto bela, eu amo meu corpo, adoro mimá-lo e testar os limites dele com atividades físicas. O ser humano é capaz de coisas incríveis quando ele elimina da sua vida  pensamentos como:  "eu não sou capaz", "eu não consigo", "pobre de mim", "ai o que os outros vão pensar?", "ai me chamam de gorda" ou qualquer outro tipo de pensamento que te limite.










Beijões Queen Size,

Claudia Rocha GorDivah

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Desabafo Queen Size da Leitora - Autoestima - Elaine Amâncio


"Esta manhã olhei-me no espelho e um dos atributos que não encontrei em mim foi a modéstia. Vi uma mulher linda, com sorriso de menina e olhar sedutor que exalava sensualidade por todos os poros. Vi algumas imperfeições aos padrões de beleza instituídos por uma sociedade hipócrita que valoriza o físico perfeito e o caráter podre, mas isso já não me afeta. Hoje estou me sentindo atraente, linda, sexy. Amanhã, amanhã posso mudar de ideia, de verdade, de humor. Mas só por hoje vou me sentir assim capaz de causar um terremoto com um simples olhar e um tsunami com um beijo. Ahhh, a tal modéstia que não encontrei, devo tê-la arremessado pela janela. A quem possa interessar, fique com ela. Já não a quero mais. Ela não me pertence e eu já não pertenço a ela. "


Por Elaine Amâncio


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Beijões Queen Size,

Claudia Rocha GorDivah

terça-feira, 12 de maio de 2015

sábado, 9 de maio de 2015

Gorda não significa GULOSA - Vlogando



Acho impressionante como as pessoas adoram fazer do gordo uma criatura mítica. Atribuem sinônimos, termos pejorativos à nossa imagem que não correspondem à nossa realidade. E um dos termos que adoram usar como sinônimo de gorda é gulosa, como se todo gordo fosse igual ao outro e fosse algo intrínseco ao gordo, como se magros não fossem gulosos.
Não sei se é ignorância ou agressividade, mas seja qual for a origem, peço que reflitam e parem de usar gorda como sinônimo para gulosa, abram a mente e repensem.
Estar gorda é uma característica que tem a ver com a minha relação com a gravidade aqui na Terra, e não uma caraterística comportamental. O termo gordo está ligado diretamente ao porte, volume físico e não ao seu sentimento ou estado momentâneo ou vontade naquele determinado instante.
Gorda não significa gulosa, gorda não é sinônimo de gulosa.



Se você não aprendeu na escola com a titia Teteca não tem problema, a Tia GorDivah tá aqui pra te ensinar, repita comigo um gazilhão de vezes:

- Gorda não significa GULOSA 


Aprendeu?




Beijões Queen Size,

Claudia Rocha GorDivah

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Imagem Corporal: Como Ajudar Seu Filho a Viver em Harmonia Com Seu Próprio Corpo

Foto: Meg Gaiger/Harpyimages

Nenhuma criança cresce se depreciando e com uma imagem negativa a respeito de si própria. Entretanto, a formação de uma auto-imagem negativa pode germinar a partir de relações disfuncionais desde a infância.  Uma mãe que não acalenta seu filho com afeto e não atende as necessidades vitais dele, pode proporcionar repetidas experiências angustiantes.  Críticas freqüentes e olhares pejorativos para o corpo do filho podem marcar a auto imagem da criança de forma negativa.

Na cultura em que vivemos, o corpo é visto como objeto mercadológico, não existe lugar para a feiúra, nem para a gordura.  Paga-se qualquer preço para chegar perto do padrão de beleza imposto pela mídia, submetendo o corpo a cirurgias, tratamentos estéticos, medicações e muitos suplementos.  Estudos apontam que a mídia promove distúrbios de imagem corporal. Modelos e  atrizes vêm se tornando mais magras ao longo das décadas  e indivíduos reportam terem aprendido técnicas não-saudáveis de controle de peso (indução de vômitos, exercícios físicos rigorosos, dietas drásticas) através dos veículos de comunicação.

Menos de 5% da população tem possibilidades genéticas de alcançar padrões de beleza tão extremos.   Este contexto contemporâneo acaba favorecendo uma enorme insatisfação em relação ao próprio corpo. Os transtornos psiquiátricos relacionados a distorção da imagem corporal são marcados por elevado grau de sofrimento físico e psíquico, associado a perdas sociais e ocupacionais significativas além de produzirem comportamentos danosos para a saúde física do paciente.

Patologias como anorexia nervosa, bulimia nervosa e dismorfia muscular vêm aumentando drasticamente nas últimas décadas. O Brasil é o segundo país com o maior número de cirurgias plásticas realizadas no mundo, e é o campeão no consumo diário de moderadores de apetite. Essa excessiva  preocupação com o peso e forma do corpo está aparecendo cada vez mais cedo na vida das crianças e adolescentes que podem pagar um preço muito alto por isso.

O Que é Imagem Corporal?

A Imagem Corporal foi conceituada como a visão interna tridimensional que temos do nosso corpo, ou seja, a imagem do próprio corpo formada em nossa mente.  Sabe-se que essa imagem engloba não só aspectos perceptivos, como também afetivos, sociais, culturais e comportamentais.  Como o indivíduo se sente em relação a ele, o modo como se move, como experimenta e se relaciona com suas sensações corporais e as mensagens que recebe a respeito de si. A imagem corporal se desenvolve desde o início da vida e está sempre se transformando, está também relacionada com o conceito que temos de nós mesmos e com nossa auto-estima.

Como se forma nossa Imagem Corporal?

No início da vida, o bebê não tem a noção de ser alguém  separado da mãe . Vivencia suas experiências através de sensações  corporais através das primeiras vivências com a alimentação e cuidados maternos.  A figura materna tem fundamental importância na maneira como a criança vai se percebendo; através do contato mútuo e do atendimento ou não das necessidades básicas, mãe e criança vão construindo experiências prazerosas e desprazerosas.  Por volta dos 18 meses a criança estabelece em sua mente uma noção de ser alguém diferente da mãe, e passa a ser capaz de se reconhecer no espelho.  Neste momento, se consolida o senso de identidade estabelecido a partir de uma representação mental do corpo.

Como a mãe ou o cuidador podem ajudar a promover uma imagem corporal positiva no início da vida?

A figura materna deve ser uma presença que ofereça segurança e afeto no cuidado do bebê. É muito importante que desde cedo a mãe tente reconhecer as necessidades da criança. Um exemplo é tentar discriminar os diversos choros do filho atendendo a eles adequadamente, dando alimento no momento da fome, coberta no choro de frio. Desta maneira o cuidador vai ajudando o bebê a identificar suas sensações corporais, dando atenção aos diversos sinais que o corpo envia. Mais tarde quando estiver com fome irá procurar alimento, quando estiver cansado, irá descansar, etc.

A figura materna deve tentar evitar que a criança tenha um excesso de experiências negativas com o corpo, possibilitando a experimentação do corpo como fonte de prazer e não de angústia, olhar, tocar e cuidar do corpo da criança sempre com carinho e respeito. Nomear as partes do corpo do filho e oferecer estímulos sensoriais também ajuda na formação do esquema e consciência corporal.  Os pais devem favorecer atividades motoras e a possibilidade da criança explorar suas potencialidades, além da força física, vivenciando o corpo, seu funcionamento e todos os mecanismos que vão além de uma forma.

Na adolescência: como ajudar o jovem neste momento de mudanças físicas e psicológicas?

Antes da entrada na adolescência é importante preparar o filho para as mudanças físicas que o corpo sofrerá nesta época. Vale compartilhar suas próprias experiências e ajudá-lo a ter uma visão crítica da mídia a respeito dos padrões impostos de beleza. Valorizar o que ele tem de único e singular, e permitir que explore outros modelos diferentes do que tem em casa para buscar espontaneamente o seu próprio estilo. Este é um momento de progressiva separação dos pais, onde muitas vezes o jovem precisa ter a sensação de pertencer a algum grupo para poder existir na sua singularidade. É  aí que começam a ter seu jeito de se vestir, estilo de andar e falar típicos do grupo a que se identifica.

A adolescência representa outro marco na identidade. As mudanças físicas e pressões psicológicas impulsionam uma nova organização do esquema corporal.  Neste momento aparecem vários conflitos:
O amadurecimento físico traz mudanças expressivas nas curvas, aumento de peso, pêlos, tudo isso junto com  padrões de beleza impostos pela mídia com modelos de referência quase inatingíveis.  Logo em seguida o jovem se vê frente a escolha profissional e a fortes pressões psicológicas. Neste momento de transição, de despedida do mundo da infância e entrada no mundo adulto, o jovem que cresceu com uma identidade frágil e uma imagem corporal negativa tem maiores chances de desenvolver distúrbios alimentares, depressão ou transtornos psiquiátricos.

Doenças da Beleza: Isto existe?

A cada dia percebemos mais patologias que envolvem a questão da beleza. A incidência de transtornos alimentares praticamente dobrou nestes últimos 20 anos. Apesar de atingir predominantemente as mulheres (9 mulheres para cada  homem), a incidência entre o público masculino e infantil também tem aumentado. As crianças, mesmo não apresentando os mesmos sintomas dos jovens e adultos, já se sentem gordas e com vergonha em expor o próprio corpo. A prevalência de anorexia nervosa (AN) varia de 2% a 5% em mulheres adolescentes e adultas. Nos Estados Unidos é a terceira doença crônica mais comum entre adolescentes, só perdendo para a obesidade e a asma. Estas jovens depositam sua auto-estima no  peso e formas do corpo e apresentam uma grande dificuldade de identificar sensações corporais,  necessidades fisiológicas e estados emocionais.  Com isso, acabam se isolando socialmente e vivem em função de dietas, contagem calórica ou episódios de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios como vômitos ou uso de laxantes. Já a Dismorfia Muscular (DISMUS) é um subtipo do transtorno Dismórfico Corporal , que se caracteriza por uma preocupação específica com o tamanho do corpo e com o desenvolvimento dos músculos. Este já é um transtorno presente quase que exclusivamente nos homens que apesar da visível hipertrofia procuram ativamente aumentar sua massa muscular através de exercício excessivos, do uso de substâncias ergogênicas e de dietas hiperprotéicas.

Comer quase nada, ficar horas em jejum, tomar anabolizantes, se mutilar, se exercitar exaustivamente, perder o prazer da alimentação, abusar de laxantes e diuréticos, tudo vale para alcançar a imagem ideal. Precisamos ajudar nossas crianças e jovens a estabelecerem uma relação mais harmoniosa com o corpo, estando atentos não só a quanto ele pesa e que formas ele tem, mas como ele funciona, o que ele sente, que desejos ele tem. Um corpo pulsante que vibra se emociona e que pode ser único e singular dentre todos os outros.

Texto elaborado a partir das seguintes referências bibliográficas:

Barros, D.D.Imagem Corporal:A descoberta de si mesmo. Hist. Cienc. saúde-Manguinhos v.12n.2Rio de Janeiro maio/ago. 2005.

Cash, T.F.;Pruzinsky,T.. Body Image-A Handbook of Theory, Research &Clinical Practice

Dunker, K.L.L.;Philippi,S.T. Hábitos e Comportamentos Alimentares de adolescentes com sintomas de anorexia nervosa.Rev.Nutr. vol 16 no1. Campinas jan/mar 2003.

Sardinha,A.;Oliveira,A.J.;Araújo,C.G.S. Dismorfia Muscular: Análise Comparativa entre um Critério Antropométrico e um Instrumento Psicológico. .Laboratório de Pânico e Respiração-Programa de Pós-Graduação em psiquiatria e saúde mental .Instituto de psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro- IPUB/UFRJ-2008

Tavares, M.C.G.C.A Imagem Corporal – Conceito e Desenvolvimento. São Paulo:Monole, 2003.



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Beijões Queen Size,

Claudia Rocha GorDivah