terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Plus size é muito mais fun




Me enviaram o link desse texto e achei simplesmente sensacional! daí resolvi compartilhar aqui com vocês. Espero que curtam tanto quanto eu.

Não sei se vocês viram, mas na semana passada uma modelo australiana postou uma selfie de biquíni. Nada demais, não fosse a revista Marie Claire chegar depois dizendo que esta moça, Robyn Lawley, era plus size. Ou seja: gordinha. Modelo de propaganda de hidratante pra axila.

Todo mundo em seguida saiu discutindo as (poucas) banhas dela. Dizendo que ela não era gordinha, não. Concordo: ela está a quilos-luz do conceito mais aceito de plus size – mas vamos reconhecer que o sorriso dela é de gorducha, sim. Não sei quanto se precisa, no mundo fashion,  para serplus size (imagino que meio quilo acima do peso baste) – mas a felicidade da moça é a de quem come pão com vinagrete no churrasco. Ali se vê satisfação, algo impensável para pessoas acostumadas a quinoa e barra de cereal. Aquele sorriso tem o borogodó que encanta.

Aquele sorriso é de Gordelícia.

Lá onde eu moro, plus size tem esse nome: Gordelícia. Pode ser a variante Gordinha-Esquema, muito aceita também. Que é aquela mulher uns sete quilos acima do que manda a ONU – mas que traz na bagagem personalidade, opinião e joie de vivre.

(A Leitora Encanada pode achar que Gordelícia é ofensa. Pelo contrário: trata-se de elogio e, mais que isso, desejo de consumo. Vai por mim.).

Porque a Gordelícia tem beleza. Tem substância – e não é só na cintura. Visita museus e depois discute o que viu na cafeteria, comendo um petit-gateau. Manda a academia do dia seguinte pro inferno se a mesa do bar está bem formada e o assunto rende. Gosta de doces e livros. E como é bem preparada, exige desempenho físico e cultural do adversário. A Gordelícia não cai em qualquer conversa e – dizem – é excelente no sexo porque nunca leu Freud. Entre a psicologia e o pudim, o pudim ganha fácil. Algumas sabem inclusive contar piada, enquanto as Magrelas param no meio da narrativa, perguntando, aflitas: “Gente, como é que terminava mesmo ?”

Gordelícias são companheiras. Bebem junto com você, nas datas especiais. Champagne nas vitórias, cachaça nas derrotas. É a escolha perfeita para quem quer fugir do roteiro turístico da praia do Pepê, da ditadura do rosto-peito-bunda.

Mas o que caracteriza a Gordelícia é mesmo o humor, é o doping químico do Toblerone ao invés do desespero do alface. É tanta alegria que contamina feito bocejo. E se tal felicidade é contagiante, pronto: eu quero estar por perto. Eu e muita gente. A vida é cheia de conta pra pagar, na TV a cabo só passam as mesmas coisas e este ano ainda tem eleição. Se o sujeito procura alívio, se procura algo a mais que o fascismo da beleza, se percebe que a alegria dos outros ajuda a encarar o trânsito e os sete-a-um-da-vida, as Gordelícias são excelente opção. Com esse nome ou sua variação século 21 – a mulher plus size.

Homens gostam de Gordelícias. Elas contêm mais mulher.






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