terça-feira, 1 de outubro de 2013

Cacos

Você já tentou colar os cacos de uma xícara quebrada? Conseguiu usa-la bem de novo? Foi rápido ou precisou esperar a cola secar? Quando enfim a cola secou e você despejou um café bem quentinho, sentiu o gosto da cola?

Pois é, o poeta já dizia....
Os cacos da vida, colados, formam uma estranha xícara.         Sem uso, ela nos espia do aparador.                                       Carlos Drummond de Andrade
 
Agora imagine um coração colado que foi partido, moído, triturado tantas e tantas vezes que não possui mais o formato de coração. Ele bombeia o sangue, às vezes bate fraco demais, sente frio e apresenta panes frequentes como se fosse parar de vez de repente.

Me pergunto se ele me diria que os cacos de um coração colados, formam uma estranha bomba...sem uso, ela me espia de dentro do peito enquanto tamborila uma marcha triste e ocasionalmente até fúnebre.

Definitivamente só me resta deixa-lo espiar, pois agora realmente é um artigo sem uso para mim. Não quero usa-lo nunca mais. Hora de tira-lo de novo de dentro do peito e lança-lo no baú de adamantium, para sepulta-lo definitivamente no fundo do mar, dessa vez para valer mesmo!




OBS: Este post foi programado, bem como os demais publicados a partir deste....retorno em algumas semanas.